O empreendedorismo em Santa Catarina apresenta indicadores acima da média nacional, com destaque para maior renda, formalização e concentração no setor de serviços. É o que aponta o estudo Perfil do Empreendedor Catarinense, elaborado pelo Observatório de Negócios do Sebrae/SC, com base em dados da PNAD Contínua do IBGE (3º trimestre de 2025).
O levantamento mostra que o estado reúne cerca de 1,3 milhão de empreendedores, o equivalente a 4,3% do total do país, inseridos em um ambiente de negócios considerado mais estruturado e dinâmico. O setor de serviços lidera a concentração das atividades, reunindo 42,1% dos empreendedores, seguido pelo comércio (17,6%) e pela agropecuária (14,7%).
Em termos de rendimento, os números chamam atenção: a renda média mensal dos empreendedores catarinenses é 38% superior à média nacional, alcançando R$ 4.194,00 entre os trabalhadores por conta própria e R$ 9.672,00 entre os empregadores. A jornada média semanal é de 41,5 horas, aproximadamente três horas a mais que a média brasileira, indicando elevado nível de dedicação às atividades empreendedoras.
Perfil demográfico e desafios de inclusão
O estudo aponta que 63,4% dos empreendedores catarinenses são homens, enquanto as mulheres representam 36,6% — participação 2,3 pontos percentuais acima da média nacional. Em relação à cor da pele, 83,8% se declaram brancos, 13% pardos e apenas 2,5% pretos, evidenciando a baixa participação de pessoas negras no empreendedorismo estadual e a necessidade de ampliar políticas de inclusão e diversidade.
A faixa etária predominante está entre 40 e 59 anos (44,9%), com destaque para empreendedores com ensino médio (39,7%) e ensino superior (32,9%). A maioria é responsável pelo domicílio, reforçando o papel do empreendedor como principal agente de sustentação econômica das famílias.
Formalização acima da média, mas ainda com desafios
Santa Catarina se destaca por apresentar uma taxa de informalidade 15 pontos percentuais menor que a média brasileira e 6,4 pontos percentuais a mais de empreendedores com ensino superior em comparação ao país. Ainda assim, a informalidade atinge 50,4% dos empreendedores, indicando espaço para avanços em políticas de formalização e qualificação.
De forma geral, o perfil traçado pelo levantamento descreve o empreendedor catarinense como homem branco, entre 40 e 59 anos, com escolaridade média ou superior, atuante no setor de serviços, responsável pelo domicílio, trabalhador por conta própria e com rendimento médio mensal de R$ 4.194,00.
Para o gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/SC, Roberto Füllgraf, os dados evidenciam tanto os avanços quanto os desafios do setor. “Os números confirmam que Santa Catarina possui um ambiente favorável aos negócios, com empreendedores mais qualificados, formalizados e com maior capacidade de geração de renda. O Sebrae atua para fortalecer esse ecossistema de forma cada vez mais inclusiva, promovendo políticas e ações contínuas de apoio ao pequeno negócio”, destaca.






