Polícia Civil indicia três adultos por coação de testemunha durante investigação em Florianópolis sobre o Caso Cão Orelha

Polícia Civil indicia três adultos por coação de testemunha durante investigação em Florianópolis sobre o Caso Cão Orelha

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A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) apresentou, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (27), novos avanços na investigação do caso de maus-tratos contra o cão comunitário conhecido como Cão Orelha. Familiares de adolescentes investigados — sendo um advogado e dois empresários — foram indiciados pelo crime de coação no curso do processo, após interrogatórios conduzidos pela corporação.

O crime ocorreu no início de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis, quando a Polícia Civil tomou conhecimento de agressões praticadas contra o animal. Em razão da gravidade dos ferimentos, o cão morreu durante atendimento médico-veterinário.

Diante da suspeita de envolvimento de adolescentes, foi instaurado um auto de apuração de ato infracional pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE). Paralelamente, o inquérito policial para apurar a coação de testemunhas por parte de familiares foi conduzido pela Delegacia de Proteção Animal da Capital (DPA).

No âmbito da DPA, o inquérito foi concluído e encaminhado ao Fórum. A delegada responsável, Mardjoli Valcareggi, destacou a complexidade do trabalho investigativo. Segundo ela, apenas no procedimento relacionado ao caso do cão Orelha foram ouvidas mais de 20 pessoas e analisadas mais de 72 horas de imagens provenientes de 14 câmeras de monitoramento, públicas e privadas, totalizando mais de mil horas de gravações examinadas, além de materiais relacionados a outros crimes conexos.

Na segunda-feira (26), equipes da DPA e da DEACLE cumpriram mandados de busca e apreensão em residências dos adolescentes suspeitos dos maus-tratos e dos adultos investigados por coação. Foram apreendidos celulares e equipamentos eletrônicos, que passarão por análise técnica para reforçar os elementos probatórios já reunidos.

Em relação aos adolescentes identificados, o procedimento seguirá sob responsabilidade da DEACLE. De acordo com a Polícia Civil, foi necessário o cumprimento prévio de medidas cautelares e a obtenção de todos os mandados judiciais antes da realização das oitivas.

O delegado-geral da PCSC, Ulisses Gabriel, ressaltou que a atuação da instituição prioriza a causa animal e destacou a criação de delegacias especializadas para a defesa dos direitos dos animais em Santa Catarina. Ele reforçou ainda que é vedada a divulgação de imagens, fotos ou nomes dos adolescentes investigados, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cabendo à autoridade judicial a aplicação das medidas legais cabíveis.

Também participaram da coletiva o diretor de Polícia da Grande Florianópolis, Pedro Henrique de Paula e Silva Mendes, e o diretor do Gabinete da Delegacia-Geral, Marcelo Nogueira.

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